The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories, Tim Burton


Ontem eu estava triste. Parece até estranho falar isso em público, porque acostumamos a um mundo virtual de pessoas felizes, bonitas e dias coloridos. Mas a verdade é que todos nós temos dias melancólicos, dias em que seu cabelo não tem solução estética possível e que a chuva não para de cair.

Anteontem minha filha estava triste na hora de ir embora da escola. Berrou e chorou copiosamente no caminho da escola até aqui. Por algumas vezes tentei consolar, mas vi que ela estava realmente magoada e deixei que chorasse em paz. Foi quando encontrei uma amiga na rua, que ficou enternecida e também se propôs a alegrar a pequena e dizer que nada tinha acontecido,  que estava tudo bem. Eu, interrompi suavemente e disse: "Ela está triste, e tem razão em estar triste. Queria ir para casa do amigo e não vai poder ir. Acontece com todo mundo, nem tudo sai como queremos mesmo, ela tem que se acostumar, é a vida. A vida nem sempre é legal." Minha amiga ficou momentaneamente chocada e depois sorriu e disse: "É, é isso mesmo."

Tudo isso para dizer que eu acho que às vezes precisamos abraçar a tristeza, as tragédias e os dias cinzas que se apresentam. Não é que eu ache que não devamos reagir e tentar mudar as coisas, vejam bem. Mas às vezes, quando não tem alternativa, está tudo bem se sentir triste, frustrado ou magoado. E chorar um pouco. E, é mais rico ainda, se em algum momento do processo, pudermos olhar para a situação e rir um pouco também de nós mesmos e da tristeza e das dificuldades que a vida traz periodicamente.

A obra do Tim Burton é sempre baseada nessa idéia. O homem com mãos de tesoura que não pode amar, mas que nos faz sorrir, o esqueleto que quer ser papai noel e causa uma confusão mórbida e hilariante, o homem que casa sem querer com uma mulher morta e encontra um além mexicanamente festivo. Histórias para crianças, tristes como os contos de fadas clássicos costumam ser, sobre pessoas que não são o que queriam ser e que não se encaixam nos modelos. Minha filha não gosta muito. Ela é pequena e se assusta com as figuras, mas tento apresentá-la devagarzinho a certos conceitos ou imagens e canto as músicas do Estranho Mundo de Jack no meio das músicas das princesas da Disney.

The Melancholy Death of the Oyster Boy (A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, na edição de Portugal) é um livro de poemas sobre crianças com problemas mais sérios do que a maioria de nós: um deles tem uma cabeça feita de queijo Brie que sonha que só sobrou uma fatia de sua cabeça ou uma menina com alfinetes por todo o corpo que não pode se mexer e, finalmente um menino que é uma ostra que seus pais decidem devorar. Nada como um pouco de perspectiva e ironia nesses dias desbotados.

Para ver extras sobre Tim Burton na página de uma exposição do trabalho dele no Moma, clica aqui.



Let's Play Games, Hervé Tullet



Os livros do Hervé Tullet são deliciosos, coloridos, interativos e provocam a imaginação das crianças e da gente de diversas maneiras diferentes. A série "Let's Play Games" são livros que viram jogos, esculturas, filtros, obras de arte, estampas e até brilham no escuro.
É engraçado para nós adultos, que estamos acostumados a pensar em livros como histórias, escritos e narrativa, vermos nos livros infantis as figuras, as cores e as ilustrações tomaram o lugar de grande destaque na contação das histórias. (Especialmente os livros para as crianças ainda não-alfabetizadas, obviamente.) Mas de uma maneira ainda mais livre, os livros do Tullet são jogos narrativos e usam as ilustrações, as luzes e os recortes como um ponto de partida para sugerir narrativas, mas também para propor um cruzamento com as artes plásticas e, principalmente, com a brincadeira e a diversão! As crianças vão brincar, imaginar, misturar cores e texturas, brincar de marionetes e de teatro de sombras e você, claro, ainda pode tentar ajudá-las a irem um pouquinho mais longe, ligando os pontos e contando uma boa história, mesmo que seja, no clima do livro, meio sem pé nem cabeça.


E também dá para ver alguns livros da série em pleno uso nesse vídeo super legal da editora Phaidon aqui embaixo:



El Vendedor de Humo, Primerframe



El Vendedor de Humo foi o curta de animação vencedor do Goya (equivalente ao Oscar na Espanha) deste ano. O filme foi realizado pela escola de animação PrimerFrame com um resultado super afinado e extremamente profissional.
Na história, um vendedor de sonhos que viram fumaça, ou de fumaças que viram sonhos, oferece seus serviços para a população de uma pequena cidade. Uma história curtinha e mágica sobre ilusões, aparências e cobiça. Sem diálogos, mas cheia de ação e cor. Para a família toda.

E dá para assistir aqui:



© PrimerFrame