Chico Buarque para crianças


Chico Buarque sempre foi o cantor favorito da minha mãe e, para mim, era uma espécie de sinônimo de canções de ninar. Quando as minhas irmãs nasceram, mais uma vez, eu via todas as noites a minha mãe cantando as músicas de Chico para elas. Ainda hoje me atrapalho quando vou cantar "Boi da Cara Preta" e esqueço a letra.
Desde que a minha filha nasceu, eu canto muito pra ela dormir. Não é que ela precise. Eu é que muitas vezes uso esse pretexto para cantar. E assim Chico Buarque foi entrando no nosso repertório noturno, discretamente.
Mas aí há algum tempo atrás, no ano passado, aqui em casa, começaram os medos oficiais infantis: Medo de escuro, medo de ficar sozinha, medo de abelha, medo das folhas de árvore no chão, do barulho do vizinho, do lobo.
Acabei lembrando da Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, clássico premiado e muito presente na minha infância e comecei a cantar as músicas pra ela (que, eu nem lembrava que sabia ainda). Logo depois, passeando na livraria descobri que desde 1997 (o livro é de 1979, assim como eu) a edição tem as ilustrações são de Ziraldo. Cereja para o bolo! (Bolo? Lobo. Bolo-bo-lo-bo.)
A Chapeuzinho Amarelo é uma menina que tem tanto medo, mas tanto medo e o maior medo que ela tem é o medo do medo que tem. Quando ela se depara, de fato, com o lobo, percebe que o medo nem era tão real assim. Dêem uma olhada na contação da Carol Levy no YouTube (senti falta das músicas originais do Chico, mas o vídeo é super bacana) Ah, e claro que não vale substituir o livro pelo vídeo, vocês sabem, mas gosto de associar atividades diferentes ao que lemos, para facilitar para os pequenos. Por exemplo, tem uma análise linda desta edição aqui para os pais enriquecerem a contação e atividades para fazer com as crianças aqui.
Temos o livro há alguns meses e sempre faz sucesso. Esses dias, no entanto, em uma noite de virose e dor de garganta, coloquei Chico para ninar a minha filha para mim, no YouTube. Ficamos acordadas horas e horas vendo o show, ela atenta a cada palavra. E, que surpresa, nos últimos dias, na hora da TV, ela não pede mais Dora, a Aventureira; nem A Casa do Mickey; nem Caillou. Agora quer assistir Chico Buarque (Ela é Dançarina e A Ilha de Lia, são os hits da estação). Às vezes ela improvisa, cantarolando as palavras que mais escuta e se sai com umas coisas tipo "eu sou funcionário da Mangueira, larilá"...
Claro que às vezes me deparo com alguns problemas quando ela pede para eu explicar a letra de Cálice, por exemplo, ou canta o refrão de Geni e o Zepellin. Mas consegui transformar a ditadura e o bullying em algo que ela conseguiu reconhecer e se relacionar. E relaxei pensando que "a cuca vai pegar" sem dúvida é mais traumatizante. E muito menos rico.



2 comentários:

Carol Levy disse... [Responder comentário]

Tatiana, olá!Estava passeando pelos blogs que visito e resolvi entrar no seu. Para minha surpresa, me deparo com esse post! Obrigada por citar o meu trabalho. Gostaria de conhecer a versão do Chico, não sabia que havia uma música! Se soubesse, era ela que entraria na contação. Aproveito para lhe dizer que o meu DVD contando estórias está quase pronto e Chapeuzinho Amarelo faz parte do repertório! Um beijo, Carol Levy

Tatiana Maciel disse... [Responder comentário]

@Carol Levy

Carol. que bacana! Obrigada pela visita. Vamos adorar conhecer o DVD.
Recebeu os meus links para o disco antigo?
Um beijo e apareça sempre!

PS: Parabens atrasado pelo dia dos contadores de histórias!

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