The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories, Tim Burton


Ontem eu estava triste. Parece até estranho falar isso em público, porque acostumamos a um mundo virtual de pessoas felizes, bonitas e dias coloridos. Mas a verdade é que todos nós temos dias melancólicos, dias em que seu cabelo não tem solução estética possível e que a chuva não para de cair.

Anteontem minha filha estava triste na hora de ir embora da escola. Berrou e chorou copiosamente no caminho da escola até aqui. Por algumas vezes tentei consolar, mas vi que ela estava realmente magoada e deixei que chorasse em paz. Foi quando encontrei uma amiga na rua, que ficou enternecida e também se propôs a alegrar a pequena e dizer que nada tinha acontecido,  que estava tudo bem. Eu, interrompi suavemente e disse: "Ela está triste, e tem razão em estar triste. Queria ir para casa do amigo e não vai poder ir. Acontece com todo mundo, nem tudo sai como queremos mesmo, ela tem que se acostumar, é a vida. A vida nem sempre é legal." Minha amiga ficou momentaneamente chocada e depois sorriu e disse: "É, é isso mesmo."

Tudo isso para dizer que eu acho que às vezes precisamos abraçar a tristeza, as tragédias e os dias cinzas que se apresentam. Não é que eu ache que não devamos reagir e tentar mudar as coisas, vejam bem. Mas às vezes, quando não tem alternativa, está tudo bem se sentir triste, frustrado ou magoado. E chorar um pouco. E, é mais rico ainda, se em algum momento do processo, pudermos olhar para a situação e rir um pouco também de nós mesmos e da tristeza e das dificuldades que a vida traz periodicamente.

A obra do Tim Burton é sempre baseada nessa idéia. O homem com mãos de tesoura que não pode amar, mas que nos faz sorrir, o esqueleto que quer ser papai noel e causa uma confusão mórbida e hilariante, o homem que casa sem querer com uma mulher morta e encontra um além mexicanamente festivo. Histórias para crianças, tristes como os contos de fadas clássicos costumam ser, sobre pessoas que não são o que queriam ser e que não se encaixam nos modelos. Minha filha não gosta muito. Ela é pequena e se assusta com as figuras, mas tento apresentá-la devagarzinho a certos conceitos ou imagens e canto as músicas do Estranho Mundo de Jack no meio das músicas das princesas da Disney.

The Melancholy Death of the Oyster Boy (A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, na edição de Portugal) é um livro de poemas sobre crianças com problemas mais sérios do que a maioria de nós: um deles tem uma cabeça feita de queijo Brie que sonha que só sobrou uma fatia de sua cabeça ou uma menina com alfinetes por todo o corpo que não pode se mexer e, finalmente um menino que é uma ostra que seus pais decidem devorar. Nada como um pouco de perspectiva e ironia nesses dias desbotados.

Para ver extras sobre Tim Burton na página de uma exposição do trabalho dele no Moma, clica aqui.



Let's Play Games, Hervé Tullet



Os livros do Hervé Tullet são deliciosos, coloridos, interativos e provocam a imaginação das crianças e da gente de diversas maneiras diferentes. A série "Let's Play Games" são livros que viram jogos, esculturas, filtros, obras de arte, estampas e até brilham no escuro.
É engraçado para nós adultos, que estamos acostumados a pensar em livros como histórias, escritos e narrativa, vermos nos livros infantis as figuras, as cores e as ilustrações tomaram o lugar de grande destaque na contação das histórias. (Especialmente os livros para as crianças ainda não-alfabetizadas, obviamente.) Mas de uma maneira ainda mais livre, os livros do Tullet são jogos narrativos e usam as ilustrações, as luzes e os recortes como um ponto de partida para sugerir narrativas, mas também para propor um cruzamento com as artes plásticas e, principalmente, com a brincadeira e a diversão! As crianças vão brincar, imaginar, misturar cores e texturas, brincar de marionetes e de teatro de sombras e você, claro, ainda pode tentar ajudá-las a irem um pouquinho mais longe, ligando os pontos e contando uma boa história, mesmo que seja, no clima do livro, meio sem pé nem cabeça.


E também dá para ver alguns livros da série em pleno uso nesse vídeo super legal da editora Phaidon aqui embaixo:



El Vendedor de Humo, Primerframe



El Vendedor de Humo foi o curta de animação vencedor do Goya (equivalente ao Oscar na Espanha) deste ano. O filme foi realizado pela escola de animação PrimerFrame com um resultado super afinado e extremamente profissional.
Na história, um vendedor de sonhos que viram fumaça, ou de fumaças que viram sonhos, oferece seus serviços para a população de uma pequena cidade. Uma história curtinha e mágica sobre ilusões, aparências e cobiça. Sem diálogos, mas cheia de ação e cor. Para a família toda.

E dá para assistir aqui:



© PrimerFrame


Yendoo Jung

É muito bom encontrar no baú coisas que você já amou um dia e nunca mais pensou a respeito. Dá uma sensação nova de descoberta, misturada com uma sensação de "olha como eu era esperta". (Claro que não vou mencionar aqui as coisas terríveis que a gente também encontra e que deixam aquela sensação de "como eu pude, meu Deus?")
Tentando organizar meus bookmarks, re-encontrei Yeondoo Jung, um artista sul-coreano que faz um trabalho muito interessante que envolve fotografia, filmagem, colagem, direção de arte e um pouco de ilusionismo às avessas.
Wonderland é o nome da exposição dessas fotos que selecionei aqui, e é antiga, de 2005. Nesse projeto, Jung selecionou alguns desenhos de crianças e re-encenou o que estava desenhado, brincando com as proporções esquisitas, os erros e as cores. Para isso, ele mandou fazer roupas deformadas, props malucos, misturou cenários com locações e painéis e muito mais.
Para quem gostar, vale a pena ver o vídeo do Creators Project sobre Jung. E acompanhar outros projetos dele, como o incrível Handmade Memories em que em Split Screen, ele mostra um idoso contando alguma memória remota enquanto ele reencena a história no outro canto da tela. É lindo ver o processo de construção e desconstrução, de verdades e mentiras e de histórias verídicas e memórias alteradas. Divirtam-se.

PS: Sei que dei uma sumida, mas as mães que trabalham e não têm babá, nem funcionários em casa, sabem que às vezes a faxina, o roteiro, o jantar, o blog, o livro ou para a construção de cidades de Lego, se alternam no vai-e-vem das escalas de prioridades. ; ) Mas eu já estava com saudades daqui e vou tentar voltar a cumprir minha meta de 3 postagens por semana: um livro, um vídeo e algum outro link bacana.




O Livro do Foguete, de Peter Newell




Peter Newell foi um artista/ poeta/ ilustrador americano (1862-1924) que trabalhou com Mark Twain e Lewis Carroll. Também lançou alguns livros infantis muito legais, nos quais os poemas e o design vão bem de mãos dadas, um a serviço do outro. O livro do Foguete é um exemplo belíssimo disso. 
Para contar a história de um morteiro que é aceso no porão atravessando todos os andares de um edifício, Newell deixou um buraco, uma elipse real, vazada, no meio do papel. E a cada nova página, em um novo andar, um pequeno núcleo de personagens se relaciona com a passagem do pequeno foguete.







































































A edição brasileira da Cosac Naify é brilhante. A encadernação é linda e a tradução do poema pelo Ivo Barroso é um primor. A capa é rígida como as dos livros de figuras de bebês e o livro tem um tamanho um pouco maior que o formato standard, muito bom de ler.

Por causa do senso de humor afiado e da idéia/ design inteligentes, o livro tem um charme todo especial e parece antigo e moderno ao mesmo tempo.

Ah, e quem quiser se aventurar mais por essa estética e ver as ilustrações do Newell para Alice no País das Maravilhas, clica aqui.



Le Silence sous L'écorche, Joanna Lurie





Le silence sous l'ecorce é um curta-metragem da francesa Joanna Lurie. O filme é bastante abstrato e simples, uma poesia visual, com cores e colagens e texturas. As duas criaturas da história,  moram dentro de árvores e quando acordam experimentam coisas em um processo de aprendizado e amadurecimento. 



Indicado ao Oscar de curta de animação em 2011, tem uma estranheza delicada e uma relação de magia com a natureza muito interessantes.

O Blog da Joanna está aqui, cheio de links para filmes e coisas legais, mas é voltado para os adultos e os que gostam de ilustração e animação. 

Jan Vermeer Coloring Book






O livro se chama livro de colorir do Jan Vermeer (Jan Vermeer Coloring Book, da Prestel), mas é mais do que um livro de colorir. A proposta do livro é se inspirar em obras de Vermeer, ou fragmentos da obra e usar a imaginação para completar, fazer versões e usar a imaginação de diversas formas diferentes, desenhando e colorindo e até usando colagens ou o que mais você achar legal.
Uma das atividades é desenhar sua irmã ou sua mãe em uma moldura que fica bem do lado de uma cópia da Moça do Brinco de Pérola. A inspiração normalmente é mais intuitiva e o livro não vem com  muitas regras, apenas sugestões (e, puxa, sim, estão em inglês). É como se ao ver uma pintura dessas, uma motivação aparecesse para tentar brincar mais com luz e sombra e brilho.
Sei que muitos pais se sentem intimidados por trazer arte clássica para as crianças, mas se você assistir o vídeo abaixo, você vai ver a segurança de uma menina de 8 anos desenhando sua versão do retrato da Moça do Brinco de Pérola. A minha filha de 3 anos, não tenta ir tão longe, mas rabisca sem medo e já começa a identificar alguns padrões e idéias.



Hoje existem vários livros de colorir e de adesivos baseados em obras de arte e artistas famosos e tento sempre ter alguns em casa (ou mesmo baixar folhas de graça da internet). As crianças adoram pintar, colorir e adesivar. E que sorte, poder se inspirar em coisas belas, historicamente relevantes e com camadas mais interessantes de estética e técnica. Claro que compro Backyardigans e fadas, como todas as mães, e não acho que seja saudável exaurir as crianças com coisas que elas ainda não conseguem enxergar. Mas sinto que quando trazemos esses elementos com delicadeza, eles se destacam no meio do caos que é a superpopulacão de bonecos e televisão e merchandising e ufa, tudo aquilo.  



A National Gallery também tem um joguinho de casa de bonecas online inspirado nos artistas holandeses, para você customizar uma casa de acordo com obras de pintores famosos e com a arquitetura e época adequadas. Uma saída mais interessante para as crianças que gostam de gastar tempo online.

Adventures of a Cardboard Box, Studio Canoe

Aqui, a gente junta caixa de sapato, pinta, cola e recorta. Mas nem precisa. Basta ter imaginação.



































Seu filho estava entediado? Não está mais!

Olha que curta-metragem fantástico que mostras as aventuras de umas crianças com uma caixa de papelão. Delícia-delícia.


A Rainha das Cores, Jutta Bauer







Os livros de Jutta Bauer são todos lindos e de uma simplicidade mais linda ainda. A Rainha das Cores é sobre as cores e sobre como é difícil não ceder ao temperamento das cores e da tendência incontrolável delas se misturarem. Quando tudo se mistura e vira um rabisco enlouquecidamente cinza, a rainha precisa descobrir como se relacionar com as cores de uma maneira mais equilibrada.  

Jutta é uma artista alemã que ilustra e desenha suas histórias. Como a maioria dos ilustradores que escrevem suas próprias histórias, ela não consegue separar uma coisa da outra. A expressão artística e a tentativa de falar e educar as crianças juntas em uma forma ou outra ou nas duas ao memso tempo. A entrevista abaixo (em inglês com legenda em espanhol) é muito rica e esclarecedora para aqueles como eu que gostam de ver de onde vem as emoções e as histórias que vão parar na mão dos nossos filhos.




Livros assim, de adultos inteligentes, falando sobre sentimentos reais para as crianças, usando abstrações e símbolos de uma maneira tão precisa, sempre me cativam e passo a achar que são livros que tão interessantes para as crianças quanto para os adultos.

Aqui, o mundo é de cores, diversão e caos. Que lindo, Jutta.






Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak


Vamos começar a bagunça geral!






Onde Vivem os Monstros é um clássico da literatura infantil. Foi lançado em 1963 e é amado e relevante até hoje. O tema do livro, o conflito entre mãe e filho, criança e adulto, se aprofunda em emoções densas, fortes e até um pouco sombrias. Só que tudo isso em uma aventura lindamente ilustrada e com motivações bastante infantis como a raiva, a decepção, a amizade e a vontade de fazer bagunça. São situações totalmente relevantes para as crianças, mesmo as pequeninas, mas vai um pouquinho além e tem algumas camadas mais profundas, que fazem com que os adultos se conectem tanto quanto as crianças. 
Na história, Max é um menino que faz uma bagunça terrível em casa com a sua mãe e é mandado para o quarto sem jantar. Ele sente raiva, muita raiva, mas o fato é que além do conflito com a sua mãe, ele também entra em conflito com a própria frustração. E em vez de continuar a se comportar mal, Max se liberta através de uma grande fantasia, em que seu quarto se transforma em uma floresta de onde ele navega para uma terra de monstros. Depois de ser coroado o mais terrível de todos os monstros, Max começa a rever seus sentimentos e a balança entre o conforto e o medo, os novos amigos e a saudade de casa e de alguém que te ame de verdade.



Em 2009, Spike Jonze lançou uma versão do filme para o cinema. Com adaptação de Dave Eggers (que publicou sua adaptação no livro da foto abaixo), o filme é um lindo panorama sobre o medo, a amizade e a solidão. Os monstros são esteticamente fantásticos e muito comoventes. Mas alerto que é um filme lento, que apela um pouco para essa camada mais adulta da história e menos para a aventura colorida e ágil que as crianças estão acostumadas. Mas será que também não é importante insistir em um contraponto? Em fazer as crianças admirarem as coisas mais reflexivas? Sou fã do Dave Eggers, editor e roteirista deste filme e adorei o livro adaptado, mas é sem figuras, para crianças um pouco maiores.

The Wild Things, adaptação do livro para o cinema virou livro.
Como o filme é um clássico, a gente encontra milhares de referências pela internet. Desde festas temáticas, máscaras para comprar, adesivos, sapatos e até dicas de como fazer comida inspirada no livro.

Um projeto que eu particularmente adoro, inspirado no Onde Vivem os Monstros é o Terrible Yellow Eyes, um site que entre 2009 e 2010 reuniu uma coleção de ilustrações e obras de arte inspiradas pelo livro. Segundo o criador do site, o livro é tão poderoso que ele sempre ficou sem palavras para descrevê-lo e por isso começou a criar ilustrações e encomendar umas de outros artistas e juntar todas em um blog. Uma homenagem super bacana que vale a pena ver. 

Peter Rabbit, de Beatrix Potter




























O hit da páscoa hoje, nesta chuvinha, é o aplicativo para Ipad/ iphone Peter Rabbit. A história é em inglês, mas você tem a opção de desligar o som e ler você mesmo, então se os pais sabem inglês podem traduzir a história enquanto a criança brinca com o conteúdo interativo das páginas. Ou deixar as crianças ouvirem o som original, elas normalmente não se importam e acabam se familiarizando com as palavras. Além disso, os jogos são uma delícia: colorir, contar, relacionar objetos, etc. São voltados para crianças pequenas, a minha de 3 tem um pouquinho de dificuldade, mas consegue finalizar todos com uma certa ajuda minha.


© Letters of Note


Para quem não conhece, Peter Rabbit é um personagem da escritora inglesa Beatrix Potter e clássico da literatura infantil. O personagem foi criado em 1893 quando Beatrix escreveu uma carta (trecho abaixo) para o filho de 5 anos da sua antiga governanta que estava doente numa tentativa de distraí-lo e alegrá-lo. O primeiro livro foi publicado em 1902. As ilustrações são muito doces e delicadas e os livros todos são muito bacanas. O site oficial tem um monte de referências, páginas para baixar, imprimir e colorir (eu já estou imprimindo agora o meu spinner, que depois publico aqui.), fotos, uma tarde inteira de coelhos.

Pintura com mistura de texturas ; ) direto do app.

Os pais talvez já conheçam o filme Miss Potter, com Renée Zellweger e Ewan McGregor que conta a história de Beatrix e de como ela se apaixonou pelo seu editor. Uma comédia romântica bonitinha que introduz um pouco esse universo. Apropriado, também para quem está com sono, e quer comer uma pipoca, vendo um filminho leve enquanto ouve ao fundo o barulhinho da chuva.

10 coisas legais para fazer na Páscoa




























































































Oba! Um monte de coisas legais para animar a Páscoa:

  1. Cartão de Feliz Páscoa - Tutorial @ Twiggle Magazine 
  2. Orelhinhas de coelho @ Finley and Oliver.
  3. Piñata/ Quebra-panela de ovos da páscoa @ Oh Happy Day
  4. Arrumar a mesa do almoço com guardanapos-coelhos @ Martha Stewart
  5. Lembrancinha diferente - Adinoela Recebe
  6. Lanchinho em caixas de Kinder - Kailochic
  7. Bolo de cenoura de caneca @ Crescer 
  8. Cestinha reciclada @ Lia Griffith
  9. Coelhinho de papel para imprimir e montar @ Macula Tv
  10. Pegadas para a caça aos ovos - Imprima @Maenual

O Livro Branco, Troyart


Ganhamos de presente o livro O Livro Branco nº 1 - 6 Robôs Para Colorir e Montar, da Troyart e foi um sucesso. A montagem é simples, mas as crianças que ainda não lêem bem, vão precisar da ajuda dos adultos. Nos divertimos tanto que acabamos esquecendo de colar os adesivos. 
O livro vem com 6 robôs, 2 réplicas de cada uma das 3 versões e pode ser interessante fazer um enquanto a criança faz outro. Eu deixei a minha fazer um sozinha e fiquei supervisionando, preguiçosamente, mas mesmo os adultos podem sofisticar as técnicas e fazerem robôs realmente bem-feitos. Eles têm uma linha de robôs para montar feitos de acrílico também, que viram lindos Toyarts (e que duram muito mais, claro), olha!






































Mas não precisa esperar comprar o livro para montar o seu robô. Na internet existem vários modelos para baixar, recortar e montar!

Olha o Wall-e.
E essas máscaras de robôs aqui.

French Roast, de Fabrice Joubert



French Roast é o melhor curta de animação que vejo em muito tempo. Atrasada, claro, porque concorreu ao Oscar de curta de animação de 2010.

O filme é sobre um homem rico e esnobe que senta para tomar um café e, quando percebe que esqueceu a carteira e não tem dinheiro, usa a tática de ir pedindo vários cafés em quanto o dia passa, para adiar o momento de resolver o problema ou admitir sua falta de dinheiro. O filme é todo feito em um plano seqüência quase estático, mas um monte de coisas acontece na nossa frente. A direção de arte é muito inteligente e vemos quase toda a ação através de um espelho na parede atrás do personagem. Durante o dia, vemos passar diante dele, um mendigo, uma velhinha, um policial e um garçom  em uma situação muito engenhosa e engraçada. E durante o dia, este senhor tão cheio de orgulho, aprende um pouquinho sobre as aparências.



Dá para ver um pouco do processo de animação, desde os primeiros sketches de alguns personagens até a finalização do 3D, aqui.



O Coração e a Garrafa, Oliver Jeffers



Uma coisa que ainda não contei por aqui é que, além de escritora, traduzo livros. Comecei adaptando para o teatro, depois comecei a traduzir livros de ficção, e sem nem perceber, virei uma tradutora de infanto-juvenis.

Quando conheci os livros de Oliver Jeffers, mandei um e-mail para a Salamandra, editora que publica Jeffers no Brasil, dizendo que adoraria traduzir um livro dele. Alguns dias depois, chegou a resposta: tinham recebido The Heart and The Bottle e perguntavam se eu gostaria de traduzir.

Eu já conhecia o livro, porque tinha visto e me encantado com o trailler do aplicativo para Ipad, como postei aqui. Achei tão bacana e charmoso, mas como não tinha um Ipad na época (Ah, sim, ganhei um Ipad, viva!) não tinha ainda lido o livro, nem conhecia a história.




O Coração e a Garrafa é uma história linda sobre uma menininha, como as outras, curiosa e encantada pelas pequenas coisas. Até que um dia, perde uma pessoa e junto com ela, o apetite pelas coisas bonitas da vida. Para se proteger do sofrimento, resolve guardar o coração em uma garrafa. Mas como é esquisito, viver e crescer e seguir com uma garrafa pendurada no pescoço!






































Para mais um pouquinho de making of, clica aqui, e dá uma olhada em outro vídeo super legal. Este é mais antigo que o do meu outro post sobre o processo do Jeffers, bem da época do lançamento do livro em 2010.

Achados e Perdidos, Oliver Jeffers.




Conheci o trabalho do Oliver Jeffers, de um jeito curioso. Um dia, não lembro como, cheguei a este post aqui do Guardian, onde, como vocês podem ver na imagem acima, um ilustrador ensinava a desenhar um pingüim. (Sim, ainda uso trema. Sim, existe tenho uma certa obsessão de origem familiar por pingüins.)

Imagens de divulgação


Algum tempo depois, descobri que Oliver Jeffers também tinha uma certa obsessão por pingüins, e por escrever livros infantis maravilhosamente lindos. E aí começou a minha obsessão por Oliver Jeffers. Passear pelo site dele é de uma riqueza ímpar. Você pode ver o processo de criação dele nesse vídeo aqui embaixo.


Comprei 'Achados e Perdidos' primeiro. É a história um menino que encontra um pingüim na porta da sua casa e fica tentando levá-lo de volta para o lugar de onde ele veio. É sobre amizade, sobre a busca de um lar e sobre solidão e saudade. Escrito e ilustrado por Jeffers. Dá para ver o teaser do livro clicando aqui.



O livro também acabou sendo adaptado para um curta-metragem, produzido pelo Studio AKA e vencedor do BAFTA. Dá pra assistir, clicando aqui.

Como eu disse, Achados e Perdidos foi o primeiro Oliver Jeffers que eu comprei. Depois desse, vieram... todos os outros. Mas isso fica para o post de quarta-feira. ; )

Dica: como se livrar do lápis de cera na TV.

Via Apartment Therapy.
Dica para limpar a tela da TV das obras de arte dos pequenos. Ha!

{Novidade: Olha só dicas de como tirar marcas de lápis de cera em qualquer coisa e lugar! via Diylife.}

Kiwi, Curta-metragem de Dony Permedi.


Um post curtinho: o curta-metragem Kiwi, de Dony Parmedi.
Filme também bem curtinho, com apenas 3 minutos, que conta uma história lindinha sobre um passarinho que sabe o segredo de viver bem: se esforçar muito e ser capaz de olhar as coisas por outra perspectiva.
Dá para ver com os pequenos, porque apesar de o curta ser americano, não tem diálogos.

Para assistir, clica aqui.

Coleção Pequenos Leitores - Jane Austen, Shakespeare e Lewis Carroll para pequeninos


Esta coleção fantástica quase chegou atrasada demais aqui em casa. Há alguns meses atrás, eu estava indo para o aniversário de 3 anos uma amiga da minha filha e pensei em comprar essa coleção para levar de presente. 
A coleção vem dentro de uma caixinha e lacrada com plástico. Simpatizei, mesmo assim. Quando entreguei para a vendedora, ela me olhou como se eu fosse louca: "Orgulho e Preconceito para uma criança de 3 anos?". "Mas é uma coleção especial", pensei. Desencorajada, coloquei a caixinha de volta na prateleira. 


Algum tempo depois, vi a coleção original, em inglês, na Amazon. Aí descobri queeles eram Board Books, originalmente. Aqueles, duros de papelão, para crianças pequenininhas. E voltei a achar que estava certa na minha intuição. Comprei aqui para casa e para o blog. E descobrimos três livros lindos, que levam a criança para os mundos de Alice, Romeu e Julieta e Orgulho e Preconceito, mas não são resumos convencionais das histórias. Elas sãõ contadas, visualmente, por símbolos, associando números ou cores com os personagens e as situações das narrativas. A série foi escrita por Jennifer Adams com ilustrações de Alison Oliver.



Acho que a edição brasileira da Nova Fronteira, apesar de ser super delicada, tem um pequeno problema de marketing x design. Primeiro porque como os livrinhos têm encadernação normal, de papel, não associamos a coleção ao público alvo. E porque a caixinha para protegê-los vem lacrada, acaba desencorajando quem gosta de ver o que está levando para os seus filhos ou não conhece a edição. Mas puxa, não percam, são livros lindos e educativos para as crianças que estão aprendendo os números e as cores e, de brinde, levam os pequenos para os mundos interessantíssimos dos clássicos.

Chico Buarque para crianças


Chico Buarque sempre foi o cantor favorito da minha mãe e, para mim, era uma espécie de sinônimo de canções de ninar. Quando as minhas irmãs nasceram, mais uma vez, eu via todas as noites a minha mãe cantando as músicas de Chico para elas. Ainda hoje me atrapalho quando vou cantar "Boi da Cara Preta" e esqueço a letra.
Desde que a minha filha nasceu, eu canto muito pra ela dormir. Não é que ela precise. Eu é que muitas vezes uso esse pretexto para cantar. E assim Chico Buarque foi entrando no nosso repertório noturno, discretamente.
Mas aí há algum tempo atrás, no ano passado, aqui em casa, começaram os medos oficiais infantis: Medo de escuro, medo de ficar sozinha, medo de abelha, medo das folhas de árvore no chão, do barulho do vizinho, do lobo.
Acabei lembrando da Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, clássico premiado e muito presente na minha infância e comecei a cantar as músicas pra ela (que, eu nem lembrava que sabia ainda). Logo depois, passeando na livraria descobri que desde 1997 (o livro é de 1979, assim como eu) a edição tem as ilustrações são de Ziraldo. Cereja para o bolo! (Bolo? Lobo. Bolo-bo-lo-bo.)
A Chapeuzinho Amarelo é uma menina que tem tanto medo, mas tanto medo e o maior medo que ela tem é o medo do medo que tem. Quando ela se depara, de fato, com o lobo, percebe que o medo nem era tão real assim. Dêem uma olhada na contação da Carol Levy no YouTube (senti falta das músicas originais do Chico, mas o vídeo é super bacana) Ah, e claro que não vale substituir o livro pelo vídeo, vocês sabem, mas gosto de associar atividades diferentes ao que lemos, para facilitar para os pequenos. Por exemplo, tem uma análise linda desta edição aqui para os pais enriquecerem a contação e atividades para fazer com as crianças aqui.
Temos o livro há alguns meses e sempre faz sucesso. Esses dias, no entanto, em uma noite de virose e dor de garganta, coloquei Chico para ninar a minha filha para mim, no YouTube. Ficamos acordadas horas e horas vendo o show, ela atenta a cada palavra. E, que surpresa, nos últimos dias, na hora da TV, ela não pede mais Dora, a Aventureira; nem A Casa do Mickey; nem Caillou. Agora quer assistir Chico Buarque (Ela é Dançarina e A Ilha de Lia, são os hits da estação). Às vezes ela improvisa, cantarolando as palavras que mais escuta e se sai com umas coisas tipo "eu sou funcionário da Mangueira, larilá"...
Claro que às vezes me deparo com alguns problemas quando ela pede para eu explicar a letra de Cálice, por exemplo, ou canta o refrão de Geni e o Zepellin. Mas consegui transformar a ditadura e o bullying em algo que ela conseguiu reconhecer e se relacionar. E relaxei pensando que "a cuca vai pegar" sem dúvida é mais traumatizante. E muito menos rico.



365 Histórias Para Dormir, Disney



































Descobri esses dias um livro chamado 365 Histórias para Dormir, da Disney. Cada dia do ano tem uma história com os personagens de algum filme da Disney. As histórias são super bonitinhas e os personagens familiares deixam as crianças felicíssimas.
Não é normalmente a minha primeira opção escolher livros que as crianças poderiam escolher sozinhas, especialmente os de personagens dos desenhos populares, que são sempre as opções naturais das crianças ao entrar na livraria. Mas neste caso, achei a idéia das histórias diárias muito bacana e adorei ver os personagens mais clássicos da Disney e não só as princesas cor-de-rosa - se a sua menina adora as princesas cor-de-rosa, não se preocupe, elas também estão todas lá, só que junto com o Robin Hood, Stitch e os Três Porquinhos.
É verdade que achei a tradução um pouco dura, especialmente para crianças do tamanho da minha (talvez seja mais bacana para crianças entre 5 e 7 anos, mas talvez seja uma percepção minha, porque a minha de 3 adora mesmo assim). Eventualmente substituo algumas palavras para mudar um pouco o ritmo e facilitar a compreensão. De qualquer maneira, a hora de dormir aqui em casa ficou muito mais fácil diante da expectativa de qual será a história do dia. Inclusive, passei a ouvir uma frase inédita: "Mamãe, quero ir dormir!".
Investigando mais sobre o assunto, descobri alguns outros livros com a mesma idéia, como por exemplo o 365 Histórias para sonhar, que dá para visualizar neste videozinho da Estante Mágica e que parece ser mais apropriado para as crianças menores, entre 2 e 4 anos. Ou para os pais mais impacientes, porque as histórias são bem mais curtinhas e aparentemente mais simples. ; ) Vai ser a próxima aquisição da casa.




Sneak, App



Sneak!

Depois de uma temporada de virose mutante coletiva, a gente aprende algumas coisas. Algumas, como: nunca tome ciprofloxacina para viroses intestinais, não são muito relevantes aqui.

Outras e aqui incluo o Sneak, talvez ajudem vocês.

O problema com as viroses coletivas é que - além de toda a chatice e angústia de ficar doente e de ver seu filho doente - as viroses faz com que as crianças não vão para a escola, obviamente, e como faz um adulto sem voz e com dor de cabeça para entreter uma criança?
"Mamãe, conta uma história?" Eu aponto em sinal de falência para a minha garganta.
"Mamãe, vamos dançar?" Meu corpo dói só em pensar.
"Mamãe vamos assisitir Dora em loop?" A cabeça pulsa.


Se você tem um Ipad funciona bem melhor, mas improvisei com o meu telefone e foi legal.

A idéia do jogo é brincar de esconde-esconde com um monstrinho e tentar se aproximar dele, sem que ele perceba, para tirar uma foto (clicando na tela você tira uma foto dele e ele, uma sua!).

Além de ser fofo e divertido, faz as crianças ficarem em silêncio e andando suavemente pela casa.
Por alguns segundos.

Ganhadores do Sorteio, Kids in Doors, Soltei o Pum na Escola!



Hoje começa o ano.
Acabou o carnaval, acabaram as férias das crianças e acabou o meu dia sabático - que foi ontem, para descansar de todo esse descanso.

E claro, já começo o ano atrasada!
Não só porque já é fevereiro, mas porque não publiquei o resultado do sorteio do Enamorados da Rebecca Dautremer em tempo real. Mas não acho ruim. Este blog aqui é assim mesmo, parte caos, parte romantismo, parte bagunça, parte afeto. Como coração de mãe. Vida de mãe. Sala de estar de mãe. You get the picture.

E decidi que quem ganhou o sorteio...
(sim, decidi, que esse randomismo não me caiu bem hoje, que acordei querendo começar o ano com as rédeas na mão)
..foi todo mundo que comentou no post.

Sim, eu fiz o sorteio randômico, como prometido, mas depois pensei que era o Dia de Doar Livros e eu nunca soube, o que me deixa 33 anos atrasada. Atrasada de novo. Vamos correr para compensar.

Então bom-dia, queridos e, de brinde, dêem uma olhada no Blog Kids In Doors, da Gi, uma de nossas ganhadoras, uma das minhas descobertas recentes favoritas. A foto aqui embaixo é de um post lindo que ensina a fazer em casa um joguinho de papelão baseado no Quem Soltou o Pum, dos incríveis Lollo e Blandina, que ainda vão dar outros posts pra manga.




Paperman e o Oscar 2013, Disney

























Ainda no espírito de Valentine's Day, aqui está o lindo (e quase preto e branco) Paperman, curta-metragem da Disney, (indicado ao) vencedor do Oscar 2013. Vocês podem ver clicando aqui.

O processo de animação do curta é uma técnica nova que mistura desenhos à mão com computação gráfica. Dá para dar uma espiada do passo-a-passo clicando aqui.

PS: E não se esqueçam de participar do Dia de Doação de Livros e do sorteio, na próxima quinta-feira.

PS2: Adoro acompanhar o processo de criação das coisas legais. Ver entrevistas, imagens do processo, da mesa de trabalho dos artistas. Olha que bacana esse sketch inicial da Meg, a mocinha do Paperback.